Reflexão Final
Processos Pedagógicos em eLearning
A fase final de cada UC implica um retornar ao início
da mesma, a releitura do trabalho realizado, a reanálise de todo o processo e
percurso.
Esta caminhada iniciou-se com duas palestras, às quais
por motivos profissionais não consegui assistir, mas as partilhas dos colegas
no fórum de discussão foram o rastilho para ir pesquisar outras palestras da professora
Dulce Márcia Cruz sobre a temática, também o jogo Comenius e o grande
desafio que ele propõe à professora Lurdinha e a todos nós como docentes.
Desafios e potencialidades também referidas por Alves (2008) que corrobora a
importância de “levar” os jogos para a sala de aula como ferramentas de
aprendizagem.
Seguidamente, iniciámos a Temática I - A Pedagogia
do eLearning – na qual teríamos que refletir sobre alguns dos aspetos
fundamentais relativos à Pedagogia do eLearning, quer em termos do seu
historial, quer das novas abordagens emergentes, centradas em torno da
aprendizagem em rede e do conetivismo e também refletir sobre questões relativas ao
papel do professor em contexto online. Para a sua concretização, procedemos à elaboração
de uma bibliografia anotado de dois artigos no âmbito da temática , seguida da produção
de um artefacto referente ao papel do professor online.
Para realizar uma bibliografia anotada, foram
disponibilizados recursos exemplificativos, o que foi uma mais-valia dado que, para mim, esta foi a primeira
vez que realizei este tipo de tarefa. No entanto, considerei uma atividade muito
relevante, pois levou-me à pesquisa de diferentes artigos para proceder à
seleção daquele que apesar de se enquadrar na temática em estudo, também me
tivesse despertado maior interesse.
Nesta medida, o artigo de Anderson (2008) refere
aspetos bastante relevantes, nomeadamente as três componentes essenciais o
papel do professor ou tutor no contexto de aprendizagem online, partindo do
modelo teórico de Garrison, Anderson e Archer (2000): presença cognitiva,
presença social e a presença do professor. Refere ainda que um bom
e-professor não se circunscreve a um professor com bom conhecimento científico
e pedagógico; mas também com competências digitais adequadas, com boa capacidade de
inovação, resiliência e perseverança. Já Aires (2016), apesar de neste artigo, focar os MOOC’s, aponta aspetos e conceitos muito relevantes, a saber a diferenciação entre os conceitos de Educação Online, e-Learning e Educação Aberta Virtual. A autora salienta que as
diferentes conceções sobre eLearning, elencando que existem conceções orientadas para: - a
tecnologia, - o sistema de acesso, - a comunicação e - o paradigma educativo,
apontando esta última como uma “nova via de ensino e de aprendizagem que conduz
a melhorias no sistema educativo”, p. 256.
Analisando, os artigos selecionados pelos outros
mestrandos, considero importante a referência de Oliveira (2021), artigo selecionado
por Samuel António, ao marcante papel da Educação a Distância na oferta de
possibilidades formativas adequadas às múltiplas exigências da sociedade atual,
considerando que a EaD dá resposta à necessidade imperativa da formação
continuada na prática profissional. E ainda o inevitável recurso à EaD e da
tecnologia, no futuro, como uma parte natural da escola e da universidade, “proporcionando
novos métodos de aprendizagem e avaliação” (p.5).
Vários colegas analisaram o artigo de Siemens (2004)
referente ao conectivismo e era digital em que vivemos e suas repercussões nos
contextos de ensino e aprendizagem. Tal como refere o colega Domingos, este autor
propõe, na sucessão do Behaviorismo, do Cognitivismo e do Construtivismo, o
Conectivismo enquanto teoria de aprendizagem para uma sociedade digital. A
pandemia “forçou” o recurso às tecnologias no contexto educativo, o importante
é agora que voltou o ensino presencial que toda a aprendizagem e conhecimento
adquirido sobre as potencialidades das tecnologias continue a ser utilizado no
trabalho com e para os alunos. Pois tal como refere o Domingos, a “integração
das novas tecnologias na educação resultará uma mudança significativa do
paradigma educativo” e aponta para alterações no papel do professor. No entanto
como refere a Catarina, o Conectivismo não rompe com os modelos anteriores,
propõe uma nova dimensão adequada à sociedade em rede.
Passando à tarefa 2, desta temática I, realizei com o
Samuel António um artefacto sobre o papel do professor online. Foi um processo
de trabalho colaborativo e participado, iniciámos pela pesquisa bibliográfica
conjunta, seleção dos recursos a priorizar, seguida da elaboração de uma
listagem inicial dos conteúdos a abordar. A fase seguinte passou pela redação
das ideias a transmitir em formato texto, passando depois para o formato “slide”
para facilitar a transposição para a apresentação em formato vídeo com a
ferramenta Doodly. Esta tarefa permitiu-nos refletir sobre as diferentes
teorias pedagógicas de ensino a distância, e, posteriormente, conjugá-las com
as funções do professor.
Foi enriquecedor analisar os artefactos dos outros
grupos de trabalho e verificar a forma como uma mesma tarefa resultou em
produtos diferentes, não obstante, naturalmente a convergência de conceções sobre
o papel do professor online. Achei bastante interessante a decisão da Catarina
de apresentação de um infográfico sobre as três gerações de pedagogia, no
entanto repleto de hiperligações com informação adicional e pertinente. Um
trabalho muito completo. Igual apreciação sobre os artefactos produzidos pela
Paula Nogueira e Sónia Lamas, bem como Domingos e Sofia Cabrita. O primeiro tem
a possibilidade de ser lido pelo computador, uma opção que em muitas situações
reforça a nossa capacidade de concentração, o segundo pela organização e
clareza da informação. Outros trabalhos também seriam merecedores de destaque,
mas estes foram, com efeito, os que mais me retiveram a atenção.
Fica o desejo de que os colegas deixem estas produções
disponíveis nos seus blogs durante os próximos anos, pois já recorri a algumas
destas produções para replicar estes conhecimentos e aprendizagens no meu
contexto profissional.
Quanto à Temática II, Personal Learning Environments
(PLE’s), já estávamos familiarizados com o desafio de realizar uma
bibliografia anotada, talvez não tão familiarizados com o conceito de PLE’s.
Esta tarefa permitiu-nos contactar com as diferentes conceções de PLE’s e foi
imprescindível para a realização da tarefa 2, a apresentação do nosso PLE.
Considerei o artigo de Rodrigues e Miranda (2013)
bastante interessante por se focar num estudo sobre os Ambientes Pessoais de
Aprendizagem em contexto de aprendizagem, apresentando resultados que
contrariam as pre-conceções e opiniões que temos sobre os docentes. Reiteradamente
se tende a afirmar que os professores mais jovens estão mais recetivos à
utilização das novas tecnologias digitais em contexto de aprendizagem e no
âmbito da sua própria formação, contrariamente aos professores com mais idade,
no entanto este estudo mostrou que a realidade difere das conceções.
Já o artigo de Rus-Casas el al. (2021) apresenta uma
experiência educativa, desenvolvida no ensino superior, na qual os ambientes
pessoais de aprendizagem (PLEs) foram implementados para a aquisição de
conteúdos das áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Esta
experiência teve como objetivo perceber se as ferramentas digitais potenciam o
desenvolvimento da capacidade de pensamento crítico nos estudantes. O estudo,
entre outras conclusões e considerações, ao nível educacional, afirma que os
resultados foram positivos, tendo aumentado a taxa de desempenho e a taxa de
sucesso dos estudantes envolvidos. Embora esta experiência tenha exigido
esforço e tempo, teve uma grande influência na aprendizagem, até porque neste
modelo o aluno teve um papel central.
Da bibliografia consultada, concluo que existem potencialidades
tecnológicas e pedagógicas dos PLE na promoção de práticas de aprendizagem
atuais e inovadoras. Todavia, para tal é necessária uma mudança nas conceções,
no sentido de assumir uma nova centralidade do aluno e adaptação das funções
dos professores, aliadas à necessária modernização dos equipamentos nas escolas
e formação adequada.
As apresentações visuais dos PLE’s
foi uma tarefa que exigiu alguma reflexão e categorização da nossa rede de
apoio à qual recorremos na nossa vida pessoal e naturalmente no contexto
profissional. Atentei na citação que a Sofia fez que importa aqui replicar: "Construir o próprio PLE implica buscar,
selecionar, decidir, avaliar, construir e reconstruir a própria rede de
recursos, fluxo de informação, pessoas com ideias interessantes, etc. Implica
conectar-se e comunicar-se com pessoas que possuem os mesmos interesses (...)”
(Silva, 2012, p.123).
Procedi à organização de acordo com a
função de cada tecnologia/software e ambiente.
Assim, defini 6 categorias:
- Pesquisar;
- Comunicar e Interagir;
- Colaborar;
- Criar Online;
- Partilhar e Publicar;
- Criar offline.
Apesar de ter definido estas 6 categorias,
elas não são estanques, não sendo fácil delinear uma fronteira entre elas, pois
estão articuladas e são interdependentes, contribuindo todas para a organização
e estruturação do processo de aprendizagem.
Optei, igualmente, pela descrição
comentada com narração áudio como complemento às imagens contidas na
apresentação e ao texto presente no blog.
Considero que o PLE apresentado assenta em
características do conectivismo, nomeadamente a contribuição da partilha para
aprendizagem e conhecimento, o interesse pela autoaprendizagem e a manutenção de interações colaborativas que potenciam a aprendizagem contínua, bem como a
procura de informação e conhecimento em diferentes fontes de informação
(Siemens, 2004).
Durante o período temporal destinado à Temática III,
procedi à análise do contrato de aprendizagem, percebendo que importaria
dedicar algum tempo ao conceito de "e-tivities" de Gilly Simon. Uma
autora que já havia sido referenciada na Temática I pelo seu modelo de
aprendizagem dos 5 estádios para comunidades online, no qual, a investigadora e
autora deste modelo, define o papel das tecnologias e do professor como
e-moderador ao longo dos 5 estádios.
Nesta nova etapa, a pesquisa sobre o conceito de "e-tivities" levou-me até ao site da autora, no qual temos acesso a inúmeros artigos e vídeos com informação bastante explícita e clara. Destaco um vídeo não muito longo, intitulado Scaffolding for Learning, no qual a professora Gilly Simon apresenta 15 componentes do modelo dos 5 estádios. A autora refere que as e-tivities são importantes porque se focam-nos alunos, levando-os a participar, a contribuir, a interpretar, a partilhar, a discutir e a construir o conhecimento. Assenta, o seu modelo, na conceção de que o conhecimento é construído pelos alunos através e com os outros, destacando o papel do professor como construtor do percurso de aprendizagem de forma intencional e e-moderador de todo esse percurso. Relativamente aos 15 componentes apresentados no vídeo acima indicado, para cada um dos 5 estádios a autora foca o papel das tecnologias, o papel do professor = e-moderador e o desempenho esperado pelo aluno em termos de aprendizagem, sendo que no 5º estádio substitui a aprendizagem pela avaliação. Gilly Salmon salienta dois aspetos fulcrais no ensino online: a interação e a participação. Afirma que os processos de e-tivity devem realizar-se por forma a alcançar os resultados pretendidos. Estabelece um quadro para as atividades online chamadas de e-tivities num estilo muito claro, os recursos disponíveis no seu sites ão úteis e práticos para potenciar o envolvimento dos alunos na aprendizagem online e para fomentar o trabalho colaborativo em ambientes de e-learning.
Em suma, esta UC consubstanciou-se num percurso que se iniciou com a reflexão sobre os jogos como ferramenta com muito potencial em contextos de aprendizagem, seguida da reflexão sobre alguns dos aspetos fundamentais relativos à Pedagogia do eLearning, destacando-se o conectivismo como modelo centrado na aprendizagem em rede, o que nos conduziu aos "novos" papéis e funções do professor online ( e que muitos deles são replicáveis ao papel do professor no ensino presencial). De seguida, caminhámos rumo ao conceito de PLE, um conceito já com alguns anos, mas cuja definição ainda não reúne consensos e à representação visual e comentada do nosso PLE. Terminámos com uma sessão extremamente agradável e clarificadora sobre a investigação nos dias de hoje, proferida pela professora Edméa Santos, na qual esta apresentou o conceito de pesquisa-formação, salientando que no atual enquadramento cibercultural as pesquisas assentam também neste caráter cibercultural, e não apenas em pesquisas mediadas pela tecnologia, pelo digital assentes na cultura de massas, com o objetivo de produzir conteúdo e distribuir em grandes massas. Por fim, uma última pesquisa e reflexão sobre o conceito de "e-tivities" preconizado por Gilly Simon, que nos oferece quase que "um guia prático" das etapas da aprendizagem online e respetivos papéis dos diferentes intervenientes.
Por fim, referir que no 2º semestre, os conteúdos das diferentes UC’s se articularam e complementaram, de forma a que aprendizagens e conhecimentos adquiridos num contexto foram bastante úteis para outros. As atividades foram também variadas e inovadoras, exigindo reflexão e não apenas a reprodução do conhecimento.
Referências Bibliográficas:
Aires, L. (2016). E-Learning, educação online e
educação aberta: contributos para uma reflexão teórica. IESAD. "RIED"
Vol. 19, nº 1 (2016), pp. 253-269. http://hdl.handle.net/10400.2/5034
Anderson, T.
(2008). Teaching in an Online Learning Context. In Anderson, Terry (Ed), Theory
and Practice of Online Learning. Athabasca University: Au Press (2ª Edição). Disponível
em: https://www.aupress.ca/books/120146-the-theory-and-practice-of-online-learning/
Oliveira, A. (2021). A importância da educação à
distância na formação do profissional de pedagogia. In Revista Ponto De Vista
n.º 10, Vol.1, pp- 1-18. DOI: https://periodicos.ufv.br/RPV/article/view/11803
Rodrigues, P., Miranda, G. (2013). Ambientes pessoais
de aprendizagem: conceções e práticas. Personal learning environments:
conceptions and practices. RELATEC - Revista Latinoamericana de Tecnologia
Educativa. 12. 23-34. Disponível em: https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/9584/1/997-4403-1-PB.pdf
Rus-Casas,
C.; La Rubia, M.D.; Eliche-Quesada, D.; Jiménez-Castillo, G.; Aguilar-Peña,
J.D. (2021) Online Tools for the Creation of Personal Learning Environments in
Engineering Studies for Sustainable Learning. Sustainability 2021, 13, 1179.
https://doi.org/10.3390/su13031179
Siemens, G. (2004). Connectivism:
A Learning Theory for the Digital Age. https://jotamac.typepad.com/jotamacs_weblog/files/Connectivism.pdf
Silva. S. (2012). Ambiente Pessoal de Aprendizagem
(PLE) como recurso de aprendizagem para o professor. Revista GEINTEC, Vol
2/nº2/p.120-128
http://revistageintec.net/article/personal-learning-environment-ple-as-a-learning-resource-for-teacher/
https://mpeluabcatarinaazevedo.wordpress.com/12030-processos-pedagogicos-em-elearning/
https://mpeldomingosnunes.wordpress.com/223-2/
https://samuelmpel2123.blogspot.com/p/uc-processos-pedagogicos-em-e-learning.html
https://sofiaelearning.blogspot.com/search/label/%23Ppel


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