Considera a comunicação digital uma nova forma de comunicação e partilha assente na "interconexão mundial", que nos dá acesso a um "universo oceânico de informação", considerando que este vasto leque de informação é "alimentado" pelas pessoas que navegam na internet. Associado ao conceito de interconexão, faz um paralelo entre o contexto cultural das "sociedades orais" e a formação de comunidades virtuais, sendo que nestas últimas predomina "uma renovação permanente". Esta sistemática e constante atualização de conteúdos conduz-nos ao conceito de "inteligência e criação coletivas", em que o conhecimento é partilhado entre todos os utilizadores deste "universo oceânico de informação". Entende o autor que o desenvolvimento das tecnologias digitais de informação e comunicação provoca mudanças qualitativas e significativas na esfera social e cultural, transformações na relação com o saber e consequentemente na educação e formação. No entanto, refere que o ciberespaço não está acessível a todos da mesma forma, devido a assimetrias de várias ordens: regionais, sociais, culturais, religiosas, económicas ou politicas, o que não nos impede de reconhecer as suas potencialidades. Considera a internet como uma ferramenta potenciadora da democratização do saber, pelo não se pode conceber a educação sem a internet, o que implica a reorientação do papel do professor que deixará de ter "o monopólio da criação e transmissão do conhecimento".
Existem muitos exemplos decorrentes da evolução do ciberespaço (Blogs, Messenger, Facebook, Twitter, Instangram, LinkedIn, Youtube, Soundcloud, plataformas de online gaming, flicKr, msn, wikipédia, Dropbox, entre outros), os quais se organizam em comunidades virtuais, permitem não só o acesso, partilha e construção de conhecimento, como também a comunicação digital, o acesso à informação e também disponibilizam espaços de armazenamento do conhecimento.
A propósito de educação, alguns
exemplos de "novas possibilidades de criação coletiva distribuídas,
aprendizagem cooperativa e colaboração em rede pelo ciberespaço" são as
diferentes plataformas e repositórios das universidades, bibliotecas e museus (alguns
exemplos: ALMA MATER - Biblioteca Digital de Fundo Antigo da Universidade deCoimbra; Biblioteca Digital Da Faculdade De Letras Do Porto; Mosteiro dosJerónimos). Relativamente às "ameaças" do mundo digital, Lévy considera
que a digitalização não conduz ao desaparecimento da cultura escrita, apenas a
melhorias na democratização do acesso à cultura. Neste campo, temos plataformas
de acesso a obras literárias em formato digital com a possibilidade de "download"
gratuito ou a preços mais acessíveis, tais como: Mojo; Bibliotrónica Portuguesa; Project Gutenberg.
Com efeito, tal como afirma Lévy, o ciberespaço e a cibercultura são
parte integrante da sociedade atual, possibilitando o acesso à informação, "a
comunicação entre indivíduos", são " um lugar virtual no qual as
comunidades ajudam os seus membros a aprender o que querem saber".
Lévy, Pierre (2000), Cibercultura –
Relatório para o Conselho da Europa no quadro do Projecto «Novas tecnologias:
cooperação cultural e comunicação», Col. Epistemologia e
Sociedade, nº138, Lisboa: Instituto Piaget.
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