Este trabalho enquadra-se na
Unidade Curricular de Processos Pedagógicos em eLearning, sendo que na Temática
2 foi-nos solicitada a elaboração de uma representação visual do nosso PLE, acompanhada
de uma descrição comentada da mesma.
Esta tarefa implicou,
primeiramente, o registo de vários softwares, plataformas e ambientes digitais
que como estudante e docente se enquadrariam no meu PLE. Assim, envolveu a reflexão
de como realizo e como potencio nos meus alunos e pares a realização da aprendizagem
formal e informal, da autonomia, da participação ativa na construção da sua
aprendizagem? (Mota, 2009).
Para tal, foi necessário ter em
conta o que é um PLE, consciente de que as conceções não são unânimes. Rodrigues
e Miranda (2013) apresentam a conceção de Attwell e Costa (2008) de acordo com
a qual um “PLE pode ser representado com tecnologia, incluindo aplicações e serviços”
(p.25). Partindo desta conceção, procedi à organização de acordo com a função
de cada tecnologia/software e ambiente.
Assim defini 6 categorias:
- Comunicar e Interagir;
- Colaborar;
- Criar Online;
- Partilhar e Publicar;
Apesar de ter definido estas 6
categorias, elas não são estanques, não sendo fácil delinear uma fronteira
entre elas, pois estão articuladas e são interdependentes, contribuindo todas para
a organização e estruturação do processo de aprendizagem.
Decidi iniciar esta representação visual do meu PLE pela pesquisa, categoria que é fortemente marcada pela função de estudante, que acumulo, atualmente, com a de docente. No entanto, será de destacar, na categoria pesquisa, que a quantidade de itens apresentados decorre da autoaprendizagem e busca de conhecimento: duas características importantes em qualquer docente, em todo o seu percurso profissional.
A pandemia levou-nos à descoberta
de formas de complementar a relação aluno-professor e os ambientes da interação
educando-educador, com infraestruturas computacionais e comunicacionais, que proporcionem
uma presença onlife (Osório, 2020). No âmbito da comunicação e interação,
síncrona e/ou assíncrona, destaco por isso algumas aplicações telemáticas, as
quais, na minha opinião, contribuem para o desenvolvimento de ambientes de
aprendizagem adequados e acessíveis a todos os alunos. A opção por esta ou
aquela plataforma, de entre as apresentadas, assenta no melhor enquadramento
pedagógico que esta potencia, em consonância com os objetivos de aprendizagem
pretendidos e as competências a desenvolver.
Apesar de incluído no meu PLE, o Moodle afigura-se antes como um LMS, pois, em regra, após o final da disciplina/unidade ou curso, o acesso à documentação deixa de estar disponível, além disso o acesso é restrito (Barros e Spilker,2013). Já a Classroom permite a manutenção do acesso, mas este pode, igualmente, ser cessado pelo responsável da criação da mesma, ou no caso do acesso por e-mail institucional, aquando da desativação da conta pela instituição.
A colaboração é um dos aspetos-chave na construção do conhecimento. A oferta de diferentes formas de colaboração é crucial e implica a construção de uma rede de interação. Todavia, assenta no pressuposto de que, a assunção de um papel ativo por parte dos participantes, nesta rede de interação, é fundamental para a partilha de conhecimento, experiências e opiniões, passando o conteúdo a ser trabalhado, mas não estando no centro da ação educativa (Mota, 2009).
A categoria
criar online é bastante marcada pela minha atividade profissional como docente,
no entanto é de referir que a seleção, apresentada, assentou em dois pilares:
- a possibilidade de oferta aos alunos da realização das atividades de acordo com os seus ritmos e disponibilidade.
De referir que os itens
apresentados permitem a construção partilhada, mas são também adequados para a
reutilização e/ou construção, permitindo aos aprendentes assumirem o papel de
autores das contribuições, dos recursos (Barros e Spilker,2013).
A partilha é um fator fundamental num PLE, indo além da mera publicação. Ambas são relevantes para a disseminação do conhecimento. De acordo com Barros e Spilker (2013), a partilha é um dos fatores diferenciadores de um PLE quando comparado com um LMS.
Por fim, destaquei os tradicionais recursos de produção de materiais offline, que em muitas situações são extremamente válidos, úteis e intuitivos no uso, sendo que os alunos estão também familiarizados com o seu uso.
Deixaria apenas duas notas
finais, a primeira para referir que os PLE’s dependem das competências digitais
e técnicas, sendo recorrentemente afetadas pela diversidade de ferramentas e
serviços (Mota,2009; Rodrigues e Miranda, 2013). A segunda nota prende-se com a
idade dos alunos, dado que de acordo com o estudo realizado por Rodrigues e
Miranda (2013) considera-se favorável “que práticas de PLE no ensino formal
surjam apenas a partir do final do ensino secundário” (p.30), pois de acordo
com a investigação relativa ao desenvolvimento cognitivo, as capacidades
exigidas para o trabalho de aprendizagem com recurso a PLE’s são consolidadas
por volta dos 16 anos.
Em suma, o meu PLE não está
circunscrito a uma localização específica, até tendo em conta as competências ao
nível da literacia digital, é antes constituído por diferentes plataformas e
serviços fornecidos pela Web 2.0, as quais abrem um leque de oportunidades, podem
mediar e sustentar a aprendizagem, não exigindo a localização adstrita a um
espaço institucional (Barros e Spilker, 2013). O PLE apresentado assenta em
características do conectivismo, nomeadamente a contribuição da partilha para aprendizagem
e conhecimento, o interesse pela autoaprendizagem e a manutenção interações
colaborativas que potenciam a aprendizagem contínua, bem como a procura de
informação e conhecimento em diferentes fontes de informação (Siemens, 2004).
Referências bibliográficas
Barros, D. M. V., Spilker, M. J. (2013). Ambientes
de aprendizagem online: contributo pedagógico para as tendências de
aprendizagem informal. "Revista Contemporaneidade Educação e
Tecnologia". ISSN 2236-3858. Vol. 1, Nº 3 (abr. 2013), p. 29-39. http://hdl.handle.net/10400.2/2812
Mota, José (2009). Personal
Learning Environments: Contributos para uma discussão do conceito. In Educação,
Formação & Tecnologias, vol.2 (2); pp. 5-21, novembro de 2009.
http://hdl.handle.net/10400.2/8982
Osório, A. J. (2020). Reflexões
sobre tecnologia e educação em tempo de pandemia. pp. 211-224. In Martins, M.,
Rodrigues, E., A Universidade do Minho em tempos de pandemia: Tomo II: (Re)Ações.
UMinho Editora. DOI: https://doi.org/10.21814/uminho.ed.24.9
Rodrigues, P., Miranda, G.
(2013). Ambientes pessoais de aprendizagem: conceções e práticas Personal
learning environments: conceptions and practices. RELATEC - Revista
Latinoamericana de Tecnologia Educativa. 12. 23-34. Disponível em: https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/9584/1/997-4403-1-PB.pdf
Siemens, G. (2004). Connectivism: A Learning
Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology
and Distance Learning. Disponível em: https://jotamac.typepad.com/jotamacs_weblog/files/Connectivism.pdf


Parabéns pela representação gráfica do teu PLE, que está muitíssimo bem conseguida. E parabéns, também, pela descrição que dele fazes, que evidencia a forma profundamente articulada das seis categorias que defines, evidenciando que um ambiente pessoal de aprendizagem decorre da forma como se cruzam as diversas estratégias utilizadas para pesquisar, produzir e partilhar dinamicamente a informação, o que conduz à aprendizagem significativa.
ResponderEliminarExcelente apresentação Ana! Parabéns! É uma apresentação atrativa e a narração ajuda a perceber o teu PLE, que é bastante complexo e completo.
ResponderEliminarObrigada pelo comentário positivo. Fico contento quando o nosso trabalho é reconhecido pelos pares.
EliminarAna
Muitos parabéns Ana!
ResponderEliminarExcelente apresentação, muito atrativa, completa, clara e muito bem fundamentada. Ilustra muito bem o que é um PLE, pode servir de exemplo, inclusivamente considero que tem um enorme potencial para servir de tutorial.
Olá, agradeço o teu comentário, o qual demonstra conhecimento da publicação e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. Também gostei bastante do teu PLE.
EliminarAna
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