A Vision of Students Today

 

         


A Vision of Students Today, disponível em: https://youtu.be/dGCJ46vyR9o

Este trabalho foi realizado no âmbito da unidade curricular Educação e Sociedade em Rede, subtópico “A rede como interface educativo”.

A tarefa consistia em elaborar uma recensão crítica dos vídeos de Mike Wesch, face à acelerada transformação digital e suas implicações nas instituições e os processos educativos, não apenas na prática educativa, mas também o modo como pensamos a função social da educação.

Recensão crítica do vídeo

 Este vídeo realizado em 2008 vai ao encontro das orientações desta tarefa “transformação digital das instituições e dos processos educativos”. No entanto, a ideia principal veiculada pelo mesmo aponta para a ideia de que “esta nova realidade da sociedade em rede não está a transformar a educação”, nem está a “recuperar a antiga dimensão comunitária da aprendizagem, integrando-a de modo dinâmico com a noção tipicamente moderna de auto-formação”.

O vídeo foi realizado pelo professor Mike Wesch, no ano de 2008, em colaboração com os seus alunos, no âmbito da disciplina de etnografia digital da Universidade do Estado do Kansas, EUA.  Claramente o objetivo deste vídeo é mostrar que o contexto educativo não pode escudar-se na necessidade de adaptação às constantes evoluções da tecnologia, mas antes agir no sentido da alteração dos paradigmas e das práticas educacionais, tal como afirma Grajek (2021, p.51) “IT leaders are ensuring that their technical staff receive the training and opportunities needed to be able to work within the new technical environments”.

Ao longo do vídeo é salientada a discrepância, ao nível do recurso a tecnologias, existente entre o dia a dia daqueles alunos (e de muitos outros) e o contexto aula. Esta discrepância entre a realidade de uma sala de aula atual e a evolução tecnologia ali inexistente está bem patente na frase de abertura do vídeo, que é uma citação de 1967 de Marshall McLuhan, a qual refere que as salas de aula atuais são as salas típicas do século XIX, acrescentando que o sistema educacional continua a pautar-se pela escassez de informação, por um sistema organizado, estruturado e fragmentado em função de “disciplinas padrão” e horários.  Termina, igualmente, com a visão de uma sala de aula do século XIX, na qual faltam fotos, vídeos, animações e trabalho em rede.

“A Vision of Students Today” teve como ponto de partida a realização de um questionário online, no qual os alunos teriam que manifestar as suas opiniões, experiências e expetativas quanto ao sistema de ensino superior. A durante o vídeo são apresentadas frases decorrentes do tratamento de dados deste questionário, nas quais estão patentes várias críticas:  ao número de alunos por aula, ao distanciamento relacional professor-aluno, aos métodos e estratégias de ensino, aos objetivos inadequados das disciplinas, à falta de motivação, de concentração durante as aulas e de compromisso com a função de estudantes e, por fim, ao facto de não estarem a ser preparados para o futuro, pois muitas das profissões atuais desaparecerão ou transformar-se-ão.

O vídeo apresenta muitas críticas, mas também muitos aspetos reais e que exigem a reflexão de todos. Mas será que a tecnologia resolveria todos os problemas apresentados? Será que os quatro aspetos mencionados no final do vídeo - fotos, vídeos, animações e trabalho em rede – por si só resolveriam estes problemas. A resposta será, certamente, que não. Porém, há uma enorme discrepância entre a presença do mundo tecnológico e digital na nossa vida dentro e fora da escola. Mas bastaria apenas apetrechar as escolas com meios tecnológicos? Obviamente que não. Os sistemas educativos têm mostrar no dia-a-dia dos alunos na escola evidências de mudança e de evolução. Quanto mais diversificadas e significativas forem as experiências dos alunos numa escola, seja uma escola básica ou uma universidade, melhor preparados estarão estes alunos para a integração na sociedade e no mundo do trabalho, independentemente das funções que vierem a desempenhar. No entanto, não se adquirem competências apenas através do recurso à tecnologia, a interação é um dos fatores-chave de qualquer sistema de educação, de acordo com Niza (2018, p. 8) é necessário “(…) envolver os alunos em responsabilidades compartilhadas com os professores em autênticas atividades de criação e de apropriação conjunta de conhecimentos.” Têm que existir cada vez mais comunidades de prática, nos contextos escolares, entre professores, alunos e professores-alunos com um compromisso mútuo que leve à aquisição de novas capacidades, competências e conhecimento. Grajek (2021, p.51) salienta: “For example, faculty are spending more time advising students and contributing information about their work with students to student success efforts. All staff supporting students are learning how to respond to early alerts and warnings”.

O desafio dos sistemas educativos coloca-se em criar condições de equilíbrio entre a constante evolução tecnológica e das sociedades e o conhecimento, a compreensão, a criatividade e o sentido crítico. Há inclusive a nível mundial experiências educativas de sucesso, como por exemplo o Deep Springs College, Califórnia USA, que valorizam competências comunicativas, cognitivas, metacognitivas, sociais, emocionais, psicomotoras, físicas e práticas, reduzindo o recurso e a dependência dos estudantes das tecnologias.

Bates (2017, p. 54-6) refere as competências necessárias na sociedade do conhecimento, sendo as seguintes: habilidades de comunicação; capacidade de aprender de forma independente; ética e responsabilidade; trabalho em equipe e flexibilidade; habilidades de pensamento; competências digitais; gestão do conhecimento.

Em conclusão, pode afirmar-se que as questões apontadas no vídeo certamente manter-se-ão em algumas instituições, no entanto, de um modo geral, o ensino superior tem vindo a evidenciar sinais de adaptação às novas tecnologias e de melhoria nas práticas pedagógicas. Além disso, não obstante o recurso às tecnologias, não podemos ignorar que o papel dos professores continua e continuará a ser fulcral no desenvolvimento de competências.  

Biblio e Webgrafia:

Bates, A. W. (Tony). (2017). Educar na era digital: design, ensino e aprendizagem (versão digital). Tradução de Teaching in a Digital Age: guidelines for designing teaching and learning. Disponível em: http://www.abed.org.br/arquivos/Educar_na_Era_Digital.pdf

Grajek, S. (2021). How Colleges and Universities are driving to Digital Transformation today. Disponível em: https://er.educause.edu/-/media/files/articles/2020/1/er20sr214.pdf

Niza, S. (2018). Aprender a participar na construção da vida democrática. Escola Moderna, N.º 6, 6.ª série, 2018, p. 7-9.


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