Temática II
Bibliografia anotada sobre Personal Learning Environments
Docente: Lina Morgado
Mestranda: Ana Valente - 2102159@estudante.uab.pt
Ano letivo 2021/2022
junho 2022
Pretende-se nesta temática:
- desenvolver uma compreensão aprofundada do conceito de Personal Learning Environment enquanto elemento fundamental na aprendizagem em rede e nas perspetivas pedagógicas emergentes em contexto online.
Tarefa 1:
- Publicar uma bibliografia anotada sobre os Personal Learning Environments com 2 itens. Estes itens devem resultar de pesquisa própria, não podendo ser selecionados de entre os disponibilizados como recursos nesta atividade.
BIBLIOGRAFIA ANOTADA
Artigo 1
Rodrigues, P., Miranda,
G. (2013). Ambientes pessoais de aprendizagem: conceções e práticas. Personal
learning environments: conceptions and practices. RELATEC - Revista
Latinoamericana de Tecnologia Educativa. 12. 23-34.
Disponível em: https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/9584/1/997-4403-1-PB.pdf
Descrição
Neste artigo, os autores reportam os resultados do
estudo realizado sobre os Ambientes Pessoais de Aprendizagem, adiante designados
como PLE – Personal Learning Environment – em contexto de aprendizagem. Relativamente à perceção dos professores sobre
os PLE e consequente impacto no processo de ensino-aprendizagem, mais de metade
dos inquiridos desconheciam por completo o conceito PLE.
Analisando os dados por fases de desenvolvimento da
carreira, os autores concluíram que as fases inicial e final da carreira são
aquelas que englobam um maior número de profissionais que admitem a aplicabilidade
dos PLE como recurso de aprendizagem, sendo os profissionais na faixa etária
dos 34-40 anos os mais céticos. No que respeita à intenção de utilizar os PLE
no contexto educativo, os profissionais em início de carreira são aqueles que evidenciam
maior intencionalidade quanto à utilização dos PLE, bem como os profissionais na
faixa etária dos 51 aos 55 anos. Os professores com idades dos 34 aos 40 anos foram
aqueles que não consideram os PLE como recurso adequado ao contexto escolar. O estudo concluiu também que há menor
recetividade aos PLE por parte dos professores em ensino presencial comparativamente
com aqueles que desempenham funções em ensino misto e a distância. De igual
forma, os professores que exercem funções em instituições públicas manifestam
pouca intenção de recurso aos PLE em contexto de ensino. São apontados fatores
na origem da pouca recetividade dos professores dos ensinos básico e secundário
face aos PLE.
Em síntese, o estudo aponta para as potencialidades tecnológicas e pedagógicas dos PLE na promoção de práticas de aprendizagem atuais e inovadoras. Todavia, para tal é necessária uma mudança nas conceções, no sentido de assumir uma nova centralidade do aluno e adaptação das funções dos professores, aliadas à necessária modernização dos equipamentos nas escolas e formação adequada.
Avaliação contextualizada
Este artigo,
apesar de corresponder a um estudo realizado em 2012, reporta uma realidade atual,
demonstra que nem sempre os mais jovens são aqueles que acreditam e estão
disponíveis para incorporar as novas tecnologias nas suas práticas pedagógicas.
O sistema de ensino está ainda muito centrado nas práticas tradicionais, não
havendo noção plena de que o recurso aos PLE em contexto educativo serão um complemento
ao papel do professor como organizador e supervisor do processo de ensino e
aprendizagem e não um substituto.
Artigo 2
Rus-Casas, C.; La Rubia, M.D.; Eliche-Quesada, D.; Jiménez-Castillo, G.; Aguilar-Peña, J.D. (2021) Online Tools for the Creation of Personal Learning Environments in Engineering Studies for Sustainable Learning. Sustainability 2021, 13, 1179. https://doi.org/10.3390/su13031179
Descrição
Neste artigo os autores descrevem uma experiência educativa, desenvolvida
no ensino superior, na qual os ambientes pessoais de aprendizagem (PLEs) foram implementados
para a aquisição de conteúdos das áreas da ciência, tecnologia, engenharia e
matemática (STEM). Para a sua implementação, houve um trabalho prévio de
preparação, aquisição e desenvolvimento de competências no âmbito dos PLEs,
sobretudo quanto à(s) forma(s) de os aplicar a conteúdos educativos que
promovam a efetiva aprendizagem. Esta experiência teve como objetivo perceber se
as ferramentas digitais potenciam o desenvolvimento da capacidade de pensamento
crítico nos estudantes.
Os resultados obtidos demonstram que os PLEs se enquadram num paradigma educativo de aprendizagem sustentável. Ao nível ambiental, permitem a gestão e organização da informação através da utilização de ambientes digitais, reduzindo a necessidade de recurso ao suporte físico (papel, impressoras, toner, arquivos, etc.). De igual forma, os PLEs potenciam o trabalho colaborativo, eliminam a barreira espacial, tornando possível trabalhar sem partilhar o mesmo espaço físico, evitando deslocações. Ao nível educacional, os resultados foram positivos, tendo aumentado a taxa de desempenho e a taxa de sucesso dos estudantes envolvidos. Embora esta experiência tenha exigido esforço e tempo, teve uma grande influência na aprendizagem, até porque neste modelo o aluno teve um papel central.
Avaliação contextualizada
Esta experiência, além de recente, é muito objetiva e pertinente. Foca três aspetos relevantes: o papel das TDIC (Tecnologias digitais de informação e comunicação) na escola e na sociedade, o desenvolvimento de competências pessoais e académicas potenciados pelas TDIC e ainda a necessidade de potenciar a consciência ambiental em contexto escolar. O estudo demonstrou ser possível integrar os PLEs em contextos educativos, respeitando os objetivos de aprendizagem e conjugando também uma vertente ambiental e de sustentabilidade. Vivemos numa sociedade em rede assente na informação e na tecnologia, grande parte das atividades profissionais implicam a gestão de muita informação e interações em ambientes de trabalho multidisciplinares e colaborativos. O trabalho colaborativo, a cooperação e a interação são competências exigidas no mundo do trabalho que foram claramente trabalhadas nesta experiência.
Nesta tarefa teríamos que selecionar dois artigos sobre os PLEs. O conceito de PLEs apresenta múltiplas conceções, talvez por esse motivo seja percecionado como um conceito complexo e por isso desconhecido de muitos profissionais da educação.
A seleção dos dois artigos teve como elemento comum a exploração destes ambientes como recurso passível de enquadrar nas práticas pedagógicas. Porém, também foi possível constatar que os PLEs exigem alguma autonomia e capacidade de trabalho por parte dos alunos, pelos que são mais adequados no ensino secundário e no ensino superior, revelando-se menos eficazes no ensino básico, devido à idade e competências dos alunos.
Foi interessante constatar, no estudo realizado em Portugal, que os professores na faixa etária dos 50-55 anos evidenciaram conhecer o conceito de PLE e disponibilidade para os aplicar no seu contexto de trabalho. Todavia, mais de metade dos inquiridos desconheciam por completo o conceito PLE. São apontados fatores na origem da pouca recetividade dos professores dos ensinos básico e secundário face aos PLEs, nomeadamente as limitações ao nível dos meios tecnológicos, das competências digitais e da oferta de formação. São igualmente apontadas dificuldades de operacionalização deste recurso no ensino básico, sendo o ensino secundário considerado como contexto mais propício para a utilização dos PLE. Quanto ao ensino superior, os docentes reconhecem a aplicabilidade dos PLE, embora poucos foram aqueles que manifestaram intenção de uso.
Quanto ao estudo realizado na Universidade de Jaen, Espanha, é um estudo recente, realizado num nível de ensino mais propício à implementação deste tipo de experiências, face à maturidade e maior autonomia dos alunos. Os resultados foram positivos, é porém de ressalvar que esta experiência foi precedida de um momento de desenvolvimento de competências, nomeadamente digitais, para garantir a recetividade de alunos e professores, bem como segurança e capacidade de trabalho.
Em suma, é possível trazer as inovações tecnológicas para "dentro da sala de aula", no entanto estas mudanças não exigem apenas inovação e autoformação, devem antes ser um processo planeado e conjunto.


Nesta tarefa teríamos que selecionar dois artigos sobre os PLEs. O conceito de PLEs apresenta múltiplas conceções, talvez por esse motivo seja percecionado como um conceito complexo e por isso desconhecido de muitos profissionais da educação.
ResponderEliminarA seleção dos dois artigos teve como elemento comum a exploração destes ambientes como recurso passível de enquadrar nas práticas pedagógicas. Porém, também foi possível constatar que os PLEs exigem alguma autonomia e capacidade de trabalho por parte dos alunos, pelos que são mais adequados no ensino secundário e no ensino superior, revelando-se menos eficazes no ensino básico, devido à idade e competências dos alunos.
Foi interessante constatar, no estudo realizado em Portugal, que os professores na faixa etária dos 50-55 anos evidenciaram conhecer o conceito de PLE e disponibilidade para os aplicar no seu contexto de trabalho. Todavia, mais de metade dos inquiridos desconheciam por completo o conceito PLE. São apontados fatores na origem da pouca recetividade dos professores dos ensinos básico e secundário face aos PLEs, nomeadamente as limitações ao nível dos meios tecnológicos, das competências digitais e da oferta de formação. São igualmente apontadas dificuldades de operacionalização deste recurso no ensino básico, sendo o ensino secundário considerado como contexto mais propício para a utilização dos PLE. Quanto ao ensino superior, os docentes reconhecem a aplicabilidade dos PLE, embora poucos foram aqueles que manifestaram intenção de uso.
Quanto ao estudo realizado na Universidade de Jaen, Espanha, é um estudo recente, realizado num nível de ensino mais propício à implementação deste tipo de experiências, face à maturidade e maior autonomia dos alunos. Os resultados foram positivos, é porém de ressalvar que esta experiência foi precedida de um momento de desenvolvimento de competências, nomeadamente digitais, para garantir a recetividade de alunos e professores, bem como segurança e capacidade de trabalho.
Em suma, é possível trazer as inovações tecnológicas para "dentro da sala de aula", no entanto estas mudanças não exigem apenas inovação e autoformação, devem antes ser um processo planeado e conjunto.
Parabéns! A opção pelos artigos parece-me muito interessante, precisamente porque ambos decorrem de estudos realizados junto de públicos-alvo distintos, que evidenciam que, ainda que indubitavelmente um conceito que aponta à promoção de aprendizagens significativas, os PLE, enquanto tal, não são percecionados da mesma forma em todos os contextos nem por todos, sendo que o fator idade e maturidade, bem como as competências, nomeadamente as digitais, são determinantes para uma sua adoção com sucesso.
ResponderEliminarOlá Ana. Excelente escolha de artigos! Parece-me interessante em Portugal, os professores , na faixa etária dos 50 aos 55 anos, conhecerem o conceito de PLE, embora mais de metade desconheça o conceito por completo.
ResponderEliminarAcabamos sempre por constatar que apesar de existirem constrangimentos tecnológicos o que se destaca mais são os problemas pedagógicos.
Olá Ana! Interessante escolha dos artigos. A tua segunda escolha vai de encontro a um dos que escolhi de García-Martínez J-A., Rosa-Napal F.-C., Romero-Tabeayo I., López-Calvo S., Fuentes-Abeledo E.-J. (2020). Digital Tools and Personal Learning Environments: An Analysis in Higher Education. Sustainability.
ResponderEliminarA tua primeira opção é interessante dado que mostra que, ao contrário do que pressupomos, os profissionais na faixa etária dos 51 aos 55 anos evidenciam intenção de utilizarem os PLE enquanto que a faixa etária 34 aos 40 anos foram aqueles que não consideram os PLE como recurso.
Olá, foi exatamente essa particularidade que me atraiu no artigo. No entanto, pode haver uma possível explicação para tal que é a seguinte: na faixa etária dos 51-55 anos e seguintes, todos os docentes, com um percurso "normal" no ensino, terão redução de 2 horas de trabalho letivo e, certamente, exercerão alguns cargos de coordenação e representação, diminuindo o número de turmas e níveis de ensino, embora aumentando significativamente a carga burocrática. É aceitável que um docente com 3 ou 4 turmas, ou até 6 turmas, tenham mais abertura aos PLE do que um docente que tem 6 a 12 turmas. Além disso, é muitas vezes no desempenho de cargos que contactamos com ferramentas facilitadoras da comunicação, da partilha e com valor pedagógico.
EliminarOra aqui temos um bom tema para realizar um novo estudo!
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