Tema 1- Educação
Digital e Ecossistemas de Aprendizagem em Rede
- A
aprendizagem em rede e as potencialidades do software social trouxeram
novos e estimulantes desafios para os sistemas educativos e para os seus
profissionais. Um dos principais desafios prende-se com a necessidade de
conceber uma “nova” didática para a docência em ambientes virtuais de
aprendizagem que deve basear-se não só nos conhecimentos científico,
tecnológico, curricular e pedagógico, mas também num conhecimento
científico e pedagógico da tecnologia que permita planear, conceber e
utilizar aplicações da web e tecnologias digitais no processo de
ensino-aprendizagem de forma eficaz.
Neste sentido, este tema tem por
objetivo criar um espaço de trabalho que permita aos estudantes serem capazes
de:
- compreender a importância da Educação Digital e dos Ecossistemas Digitais em Rede como espaços onde coabitam diferentes ambientes de aprendizagem.
Esta nova etapa de aprendizagem englobou 4 fases:
- FASE 1. Autoaprendizagem: leitura, análise e visualização dos roteiros e dos recursos de aprendizagem disponibilizados que se repercutiu nas suas reflexões e questões discutidas na Sala de Aula Virtual 1, criada para o efeito.
- FASE 2A. Discussão entre todos os participantes da turma.
- FASE 2B. Discussão Síncrona.
- FASE 3. Atualização do Portefólio Digital.
Das leituras efetuadas e da partilha no fórum de discussão
saliento os seguintes aspetos relativo à questão colocada:
O
que é um Ecossistema de Educação Digital, como se pode desenvolver, quem são os
seus "habitantes", que ambientes podem ser criados, que configurações
pode assumir?
Num ecossistema de Educação Digital, importa ter em
consideração:
- a diferença entre
ensino a distância e ensino remoto presencial;
- a complementaridade do online e presencial, analógico e digital;
- a necessidade de (re)definição do papel dos professores e dos alunos;
- a necessidade de (re)definição das metodologias, das práticas;
- as 3 componentes essenciais dos ecossistemas digitais: organizacional,
metodológica e tecnológica;
- o facto dos ambientes
de aprendizagem terem que se ajustar aos diferentes contextos e necessidades;
- o acesso aos conteúdos
de forma digital, ou antes às diferentes oportunidades de acesso que têm como
efeitos a maior ou menor exclusão;
- o facto das tecnologias
serem parte integrante das sociedades modernas, sendo que a educação não pode
ignorá-las, tem que as incorporar nas práticas pedagógicas, estando a educação
comprometida com a dialética entre inovação tecnológica e inovação pedagógica;
- a evolução tecnológica
tem influenciado cada vez mais os ambientes de aprendizagem, proporcionando
novos modelos e designs de ensino e aprendizagem;
- os ecossistemas
digitais de aprendizagem possibilitam aos professores e alunos trabalhar em
ambientes online de aprendizagem protegidos:
- nos ecossistemas
digitais há espaço para a interação e colaboração, há oportunidades de
partilha, de discussão e de construção da aprendizagem de forma colaborativa,
além do facto dos conteúdos estarem disponíveis a qualquer hora e em qualquer
lugar, mais uma vez graças à evolução tecnológica e à possibilidade de acesso
generalizado à internet;
- a inovação tecnológica,
apesar de não ser necessariamente sinónimo de inovação ao nível das práticas,
contribui para a inovação pedagógica;
- a presença da digitalização e a plataformização no
contexto educativo, sobretudo a nível da gestão e administração, oferecendo algumas potencialidades ao nível pedagógico e metodológico, nomeadamente no que
se reporta ao acesso à informação. Porém, pretende-se muito mais que o acesso e
a circulação de informação e de conhecimento, é necessário garantir as interações,
os circuitos comunicacionais e a intermediação tão imprescindíveis no contexto
de aprendizagem;
- Moreira et al. (2020)
referem a propósito do ensino remoto de emergência que “a adoção de práticas de
ensino e aprendizagem em ambientes digitais tem vindo a ser acolhida, de forma
generalizada (…)”. Este aspeto parece constituir uma realidade, no entanto, “a
maior parte das tecnologias foram utilizadas numa perspectiva, meramente,
instrumental, reduzindo as metodologias e as práticas a um ensino apenas
transmissivo”;
- são de salientar as
evoluções significativas, como os Future Classroom Lab (FCL)
criados pela European Schoolnet, em 2012, onde se privilegia o saber-fazer e a experimentação,
colocando o aluno numa posição ativa e central;
- salientar que "(...)
tão ou mais importante que a tecnologia é o desenho das atividades a
desenvolver, de forma integrada, nos diferentes ambientes." (Moreira e
Horta, 2020, p.25).
Em síntese diria que:
“Um Ecossistema Digital assume-se, em contexto educacional, como um sistema de aprendizagem em rede que apoia a cooperação, a partilha do conhecimento, o desenvolvimento de tecnologias abertas e a evolução de ambientes ricos em conhecimento” (p.5).
Domingos Caeiro, José António Moreira
Cap. 1. Educação Digital, Ecossistemas de Aprendizagem e Modelos Pedagógicos Virtuais
in - Moreira, J. A., Henriques, S., Barros, D., Goulão, F., & Caeiro, D. (2020). Educação Digital em Rede: Princípios para o Design Pedagógico em Tempos de Pandemia. Coleção Educação a Distância e eLearning. Lisboa: Edições Universidade Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/9988
Referências:
- Educação digital e disruptiva - https://youtu.be/rxzkv9QW7A8
- Moreira, J. A e Schlemmer, E., (2019). Modalidade da Pós-Graduação Stricto Sensu em discussão: dos modelos de EaD aos ecossistemas de inovação num contexto híbrido e multimodal. https://doi.org/10.4013/2019.234.06.
- Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027)
https://education.ec.europa.eu/pt-pt/focus-topics/digital-education/digital-education-action-plan
- Moreira, J. A., Henriques, S., Barros, D., Goulão, F., & Caeiro, D. (2020). Educação Digital em Rede: Princípios para o Design Pedagógico em Tempos de Pandemia. Coleção Educação a Distância e eLearning. Lisboa: Edições Universidade Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/9988
- Moreira, J. A e Horta, M.J., (2020). Educação e Ambientes Híbridos de Aprendizagem. Um Processo de Inovação Sustentada. Revista UFG,20(26), 1-29. https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027
Por fim, é de salientar a presença do professor António Moreira ao longo das partilhas no fórum, sempre com uma postura de redirecionamento do debate para temas relevantes tais como:
- será inovação tecnológica sinónimo de inovação pedagógica?
- quando o digital traz algo diferencial, estamos na área da inovação e transformação. O resto é apenas digitalização e plataformização, certo?
- falar em diferentes ambientes obriga-nos a pensar apenas na dualidade analógico ou digital? Ou poderemos entrar numa realidade combinatória feita de diferentes sistemas, redes e plataformas virtuais?
- será que numa perspetiva hibrida temos de eliminar algumas metodologias, não podemos pensar em agregar diferentes pedagogias? Se a pedagogia da explicação está "ultrapassada" (e tenho dúvidas que esteja!!) porque é que continuamos a utilizar tecnologias que promovem este tipo de pedagogia?
- acha que o futuro da educação está ONLINE ou ONLIFE?
- precisamos mesmo de pensar em novas ecologias de aprendizagem que incorporem formas arquitetónicas diferenciadas num novo habitar híbrido!! E não precisamos, se não quisermos, navegar para a realidade do tijolo e da argamassa, certo?
- A educação digital em rede pressupõe um novo paradigma educativo que veja o digital (tecnologia e sinal) como um elemento de convergência entre os diferentes cenários e ambientes de aprendizagem. Será que este ecossistema pressupõe uma nova visão acerca do digital?? Estaremos a pensar o digital apenas como uma ferramenta, numa visão instrumental ou estaremos a pensar o digital como um ambiente onde estamos conectados, onde vivemos e criamos relações? Será que esta visão de ecossistema não preconiza esta nova perspetiva? Não teremos que pensar o digital como um habitat?
- é necessário repensar modelos, horários, enfim um novo quadro legislativo que permita enquadrar uma nova cultura educativa mais digital, certo?
Foi novamente focada a importância de atualização por parte dos professores a nível das tecnologias para poderem acompanhar o desenvolvimento e consequentemente para a utilização pedagógica do digital.
Os ambientes virtuais de aprendizagem em termos cognitivos, de aprendizagem e de conhecimento não se distinguem no que à qualidade reposta dos ambientes híbridos ou presenciais. No entanto, não podemos ignorar que há muitos elementos do ambiente físico que interferem com a relação pedagógica, pois esta relação também abrange aspetos sociais.
A pandemia pôs a nu que dualidade entre "professores analógicos da educação presencial" e "professores digitais da educação a distância" não faz sentido, cada um pode ser excelente profissional no seu ambiente, no entanto as experiências de aprendizagem pautadas pelos presencial e pelo digital são muito mais enriquecidas, pelo que os professores de devem assumir como "professores todo-o-terreno".
Relativamente à formação dos professores em determinadas ferramentas, o importante é que os professores percebam como incorporar essas ferramentas na(s) sua(s) estratégia(s) pedagógica(s), pois o digital, por si só, não potencia a qualidade do processo de ensino e aprendizagem. De igual modo, digitalização e plataformização são avanços relevantes mas não podem ser encarados com enquadráveis na inovação pedagógica.
O conceito de educação "onlife" - um novo conceito e paradigma referido por Moreira e Schlemmer (2020) que, de acordo com estes autores, se ajusta à complexidade da realidade social e educativa do século XXI assente numa realidade hiperconectada, abandonando a distinção entre online e offline.
Moreira, J. A., Schlemmer, E. (2020). Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. DOI: 10.5216/revufg.v20.63438


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